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Soft e Hard Skills: o que aprender com isto?

Tema é destaque nas buscas do Google nos últimos 3 anos

O mercado de Recrutamento e Seleção está em constante mudança e a temática de Soft e Hard Skills é mais discutida a cada ano que passa0. No Google Trends, a busca pelos termos aumentou desde 2018 e, em maio de 2020, bateram recordes de busca. É interessante notar, no entanto, que as Soft Skills possuem maior popularidade nas buscas quando comparadas com as Hard em todos os períodos analisados - segundo Laís Gonçalves, do time de Recrutamento & Seleção da Business Partners, antigamente, “não ficava tão claro para o candidato, e sim para o recrutador” a importância das Soft Skills, explicou em entrevista para o Luan, da equipe BP Insights. Entenda como essas ideias se aplicam na prática e confira a entrevista na íntegra.

O QUE SÃO SOFT E HARD SKILLS?

Ao se prepararem para processos seletivos, os candidatos costumavam focar muito mais nas Hard Skills, competências técnicas que podem ser aprendidas pelo candidato de forma mais objetiva, e cujo nível de especialização é mais facilmente quantificado. Essas habilidades são adquiridas através de cursos, palestras, treinamentos e workshops. Exemplos de Hard Skills são cursos extracurriculares que capacitam para uma necessidade específica da área, como um curso de inglês (mensurado do básico ao fluente), de ferramentas do Pacote Adobe, do sistema Office, linguagens de programação (mensurados do iniciante ao avançado), entre outros.

As Soft Skills podem ser traduzidas como habilidades sociocomportamentais e estão ligadas com a capacidade dos funcionários de lidarem com fatores emocionais na trajetória de seu emprego. Elas também podem ser chamadas de People Skills (habilidade com pessoas) ou Interpersonal Skills (habilidades interpessoais). Diferentemente das Hard, as Soft Skills raramente conseguem ser medidas através de cursos na medida que estão atreladas ao comportamento do candidato. Estas habilidades podem ser desenvolvidas com o investimento em autoconhecimento e autorreflexões sobre os pontos fortes, fracos, posturas e condutas positivas e evitáveis.

Conforme indicam as buscas do Google Trends e associando com o Relatório Global Talents Trends de 2019 do Linkedin, o crescimento da inteligência artificial possibilitou a automação de diversas Hard Skills, as Soft Skills ganham destaque devido ao fato das Soft Skills não poderem ser desempenhadas por máquinas. Ainda segundo a análise do Linkedin, 62% dos recrutadores dizem considerar igualmente as Soft e as Hard Skills,30% acredita que leva mais em conta as Soft, e apenas 8% prioriza as Hard Skills.

Hard Skills

Existem centenas de tipos de Hard Skills, mas é interessante que elas sejam condizentes com o cargo buscado em determinada empresa. Não adianta muito buscar uma oportunidade de Designer, que demanda conhecimentos em programas de edição gráfica, e o foco do currículo esteja em certificações CPA-10 e CPA-20, necessárias para a carreira bancária. Todas as vagas necessitam de Hard Skills, mas é preciso saber quais serão as mais aderentes à carreira que se deseja seguir. Alguns exemplos de Hard Skills:

- Conhecimentos em determinadas máquinas ou ferramentas digitais;

- Conhecimentos em línguas estrangeiras;

- Cursos técnicos;

- Escolaridade, graduação, mestrados e doutorados.



Após a contratação, o Departamento de Recursos Humanos da empresa consegue desenvolver as Hard Skills de seus funcionários através de palestras educativas, programas de capacitação, treinamentos e cursos específicos. Além disso, o funcionário deve ter a proatividade de buscar esse conhecimento por conta própria antes, durante e depois de sua entrada na empresa.

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Soft Skills

As Soft Skills podem ser estudadas pelos recrutadores através de processos seletivos que não são tão tradicionais: as dinâmicas de grupo conseguem destacar a presença e ausência de todas as Soft Skills requeridas por uma empresa, mas um bate-papo individual também é fundamental para extrair os pontos positivos do candidato. Existem diversos exemplos de habilidades sociocomportamentais, mas ter todas não é necessário para a conquista de um cargo. - é necessário investigar quais são as mais requisitadas para assumir aquela posição. Alguns exemplos de Soft Skills:

- Capacidade analítica;

- Comunicação;

- Criatividade;

- Empatia;

- Ética;

- Flexibilidade;

- Gestão do tempo;

- Liderança;

- Motivação;

- Paciência;

- Pensamento crítico;

- Proatividade;

- Resiliência;

- Resolução de conflitos;

- Tomada de decisão;

- Trabalho em equipe;

- Trabalho sob pressão.



Nas empresas, as Soft Skills podem ser trabalhadas com programas de acompanhamento individual e feedbacks, além de palestras e workshops focados nos relacionamentos dentro do ambiente corporativo. Para direcionar as atividades, o RH deve verificar com as equipes de trabalho quais são os pontos de melhoria daqueles colaboradores.

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“QUAIS SÃO AS NOSSAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS?”

A Laís Gonçalves, recrutadora da Business Partners, bateu um papo com a equipe BP Insights e compartilhou suas visões a respeito das Soft e Hard Skills no universo corporativo. Veja o resultado:

Luan: Onde a gente consegue aprimorar as nossas Hard Skills?

Laís: As Hard Skills são competências técnicas, então todos os candidatos e colaboradores possuem essas habilidades. Nós conseguimos aprimorá-las através de certificações de cursos e até mesmo através da nossa experiência profissional, onde adquirimos bagagem para que possamos desenvolver melhor todas as nossas Hard Skills. Então, seja com uma graduação, com curso técnico ou até mesmo com idiomas, são formas que conseguimos aprimorar nossas habilidades técnicas.

Luan: Dizem que as nossas Hard Skills são desenvolvidas no decorrer da nossa carreira. Como a gente pode desenvolvê-las? Algum exemplo que você tenha?

Laís: Claro! Dando um exemplo bem simples: nós é quem desenvolvemos nossas Hard Skills conforme vamos crescendo como profissionais, conforme vamos alcançando novas posições e novas cadeiras. Então, um exemplo é que caso o candidato comece como jovem aprendiz em um trabalho mais operacional e com o desejo e objetivo de vida de alcançar novas cadeiras e posições, a ideia é que as Hard Skills referentes a competências técnicas (cursos, certificações) sejam desenvolvidas, mas conforme ele alcance novas posições em uma linha crescente, consequentemente vai adquirindo mais escopo e mais corpo. Então, toda a sua jornada profissional é válida como Hard Skill, já que você vai desenvolvendo ela com o tempo.

Luan: A gente falou um pouquinho de Hard Skill, mas mudando o foco para Soft: o que seriam as Soft Skills e como os recrutadores conseguem identificá-las e entendê-las?

Laís: As Soft Skills são as competências comportamentais. Nós, como recrutadores, usamos base teórica e entrevista por competência ou Fit Cultural - que é o que engloba as principais características referentes ao perfil comportamental de cada candidato. Então, na própria entrevista e no bate-papo, nós vamos identificar os principais pontos referentes ao seu perfil. Com isso, pode ser que você seja uma pessoa extrovertida ou introvertida, comunicativa, ou que precise desenvolver algum ponto. O recrutador que acaba tendo alguma bagagem consegue identificar isso tudo apenas no bate-papo, mas com todo o embasamento teórico que mencionei anteriormente. Entretanto, caso não fique tão claro, podemos recorrer a outros meios como os testes psicológicos. Eles conseguem trazer de forma mais quantitativa e específica as principais competências comportamentais que, geralmente, é o candidato que preenche. Então, ele responde uma série de perguntas e através das respostas, filtramos os principais pontos e as principais competências comportamentais são geradas em um documento.

Luan: Bate-papo é fundamental então, né?

Laís: Exatamente! O bate-papo é fundamental. Claro que presencialmente é muito melhor, lá é onde conseguimos ter contato olho-a-olho. Entretanto, por conta do cenário que estamos vivendo, através de vídeo também conseguimos adquirir. Acaba sendo de uma forma mais fria, mas mais incisiva, questionando, deixando a entrevista de uma maneira mais leve e tranquila, com acolhimento. Nós, recrutadores, conseguimos extrair as melhores competências já existentes e as que os candidatos conseguem desenvolver também.

Luan: As Soft Skills variam de carreira para carreira? Existe muito essa questão de que você pode ser um Assistente de TI, você pode estar ligado à comunicação, pode querer ser um Engenheiro, só que as Soft Skills não necessariamente são as mesmas para cada área. Na sua visão e de forma geral, quais seriam as Soft Skills mais requisitadas no mercado?

Laís: Sim, eu concordo com o que você trouxe. As Soft Skills são muito atreladas a cada vaga e a cada área. Não é uma forma bacana de generalizarmos, então, cada área, cada escopo, cada vaga é diferente e tem competências específicas. Mas, hoje, no mercado como um todo, pelo que vejo no Linkedin, em matérias e webinares que participo, vejo que as principais competências comportamentais que o mercado vem pedindo são: comunicação assertiva, ter um perfil auto-gerenciável (até por conta da pandemia já que estamos distantes), ser dinâmico, ser flexível, ter empatia (muito importante também pelo momento que estamos vivendo) e um perfil multitarefas já que hoje temos várias atividades no decorrer do dia. Mas, como tínhamos comentado, cada área exige uma competência específica. Então, varia muito do escopo, do que o gestor e a liderança estão esperando. Dentre todas as competências que vejo que o mercado solicita bastante hoje, temos também a criatividade (perfis fora da caixinha e que traga novas ideias) e a responsabilidade - que todos devemos ter, mas dependendo da função, acaba sendo imprescindível pelo cumprimento de prazos e entregas. Ao meu ver, essas são as principais competências que estão em destaque no mercado hoje.

Luan: Sobre o desenvolvimento das Soft Skills, elas estão atreladas ao comportamento, certo? Como o candidato consegue desenvolvê-las?

Laís: Sim, eu como psicóloga acredito até que seja um pouco curioso de trazer e acredito que todos nós, como seres humanos, temos competências positivas - que estão ao nosso favor - e competências que precisamos desenvolver. Eu não colocaria como negativas já que são experiências que podemos desenvolver no decorrer do tempo. Então, nas entrevistas que eu faço, às vezes, quando pergunto sobre as Soft Skills - competências comportamentais - os candidatos se perdem bastante e acabam dizendo que é muito difícil falar sobre si. E não é difícil falar sobre si. Basta olharmos de dentro para fora: quais são as nossas principais características? Então vou fazendo algumas perguntas para ver se consigo extrair do candidato. Aliás, o principal ponto que pode auxiliar a identificar e saber quais são os nossos principais pontos, sejam eles positivos ou a desenvolver, estão relacionados com a própria terapia e autoconhecimento. Eu acredito que são meios que os candidatos e os próprios seres humanos podem recorrer para identificar quais são as principais características que eles têm consigo mesmos.

Luan: A verdade é que todos precisamos de terapia, não é mesmo? É fundamental buscarmos o autoconhecimento para o desenvolvimento do nosso lado pessoal e profissional.

Laís: Isso! E a gente desenvolvendo esses pontos, nós, como pessoas, seres humanos, conseguimos olhar quais são as nossas potencialidades, o que temos de melhor e explorar da melhor forma possível para extrair nossas qualidades. Então, por exemplo, se sou uma pessoa comunicativa e não enxergo isso, na terapia você consegue entender que isso é uma potencialidade e acaba aplicando no ambiente profissional da melhor maneira possível. Com isso, eu posso ser bem além do que a cadeira/posição pedem através do autoconhecimento e desenvolvendo as próprias potencialidades.

Luan: O mercado está falando muito sobre Soft e Hard Skills, principalmente nos últimos 3 anos. As buscas no Google foram elevadas, disparadas, principalmente nessa época de pandemia. Por que o mercado tem comentado sobre esse tema e as pessoas têm buscado mais por isso?

Laís: Eu diria que sempre esteve muito em evidência esses dois pontos, mas não ficava tão claro para o candidato e sim para o recrutador. Então, quando o candidato descobriu que esses dois nichos são a favor dele na entrevista e que são competências que ele consegue desenvolver melhor e se sobressair em uma entrevista, acredito que eles passaram a explorar mais. Então, tanto as Hards como as Softs Skills precisam estar juntas. O entrevistador precisa entender ambos os lados para que ele possa ser mais assertivo em sua contratação. Então, quando um gestor abre uma vaga, ele pede as competências técnicas (o que essa pessoa precisa ter, o que ela vai desenvolver enquanto profissional) e competências comportamentais - que são as habilidades como pessoa, em relação à personalidade e que também vão contribuir para o trabalho. Eu sempre comento que o técnico a gente aprende e desenvolve e o comportamental, não: podemos aprimorá-lo, por que ele vem com a gente desde pequeno. No decorrer da nossa carreira e vida, conseguimos aprimorar as Soft Skills. Já as Hard Skills são desenvolvidas buscando certificações e com conhecimento técnico: acredito que os temas estão em evidência por conta dos próprios candidatos que acabam explorando mais, entendendo o que é cada nicho e qual a real necessidade desses pontos e que eles contribuem de uma forma muito positiva no momento da entrevista.

Luan: Estamos vivendo um cenário muito atípico nestes dois anos de pandemia e o pessoal pensa que, justamente por não nos comunicarmos de forma presencial, podemos abandonar as Soft Skills. Será que esse pensamento é certo, a gente pode mesmo abandonar as Soft Skills por não termos mais o contato presencial?

Laís: Não, eu não acho. E eu acredito que seja ainda mais importante nós, como colaboradores e até como pessoas, estarmos desenvolvendo constantemente as nossas Soft Skills. Por conta do cenário que estamos vivendo, com esse contato mais frio e toda essa distância, são pontos que precisamos desenvolver mesmo estando distantes. Por exemplo, eu posso envolver meu trabalho de uma forma mais individual, mas ainda preciso olhar pelo todo, com um viés de trabalho em equipe, viés de empatia pelo que o outro está passando... Eu, por exemplo, fui contratada em pandemia e acaba que temos um relacionamento mais distante; então, de que forma posso estar mais próxima da minha liderança e dos meus pares? Sendo mais flexível, sendo ativa, sendo presente. Então acredito que por mais que a pandemia nos afaste de certa forma, cabe a nós, como pessoas, encontrarmos maneiras - as nossas Soft Skills mais aderentes e adequadas - para que tenhamos essa junção mesmo que distante e por forma virtual.

Luan: E para as pessoas que estão buscando recolocação no mercado de trabalho nessa fase delicada, qual seria o maior conselho?

Laís: Para todos que estão precisando se recolocar e em busca de novas oportunidades, acredito que não perder a esperança é o principal ponto e que realizem candidaturas em vagas aderentes ao seu perfil, além de se manter atualizado sobre as Hard Skills para se sobressair em comparação aos outros candidatos que estão prestando o mesmo processo seletivo, por exemplo. Acredito que sejam esses pontos: se manter ativo, pesquisar bastante no Linkedin, deixar o currículo ativo em outras plataformas de comportamento (Vagas.com, Catho, InfoJobs), sempre mantendo o perfil atualizado para que, nós, recrutadores, possamos entrar em contato e ofertar as oportunidades que temos em aberto hoje.

Luan: Mensagem captada, mensagem recebida! Muito obrigado pela entrevista e até a próxima.o e ofertar as oportunidades que temos em aberto hoje.

Laís: Obrigada eu, até a próxima, um abraço!

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